Analistas veem disputa por mobilização de eleitores e rejeição; enquanto petista tenta alterar o cenário, senador busca preservar vantagem

Na reta final, Lula aposta em mobilização, e Flávio tenta preservar imagem, dizem especialistas
Na reta final, Lula aposta em mobilização, e Flávio tenta preservar imagem, dizem especialistas · Imagem: Source: www.terra.com.br

19 out 2026 - 05h00

Candidatos à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) têm disputa apertada nas eleições presidenciais
Candidatos à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) têm disputa apertada nas eleições presidenciais · Imagem: Candidatos à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) têm disputa apertada nas eleições presidenciais Foto: Wilton Júnior e Werther Santana/Estadão / Estadão

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Na reta final, Lula aposta em mobilização, e Flávio tenta preservar imagem, dizem especialistas
Na reta final, Lula aposta em mobilização, e Flávio tenta preservar imagem, dizem especialistas · Imagem: Source: www.terra.com.br

- Por: Isabella Lima

Na reta final, Lula aposta em mobilização, e Flávio tenta preservar imagem, dizem especialistas
Na reta final, Lula aposta em mobilização, e Flávio tenta preservar imagem, dizem especialistas · Imagem: Source: www.terra.com.br

Candidatos à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) têm disputa apertada nas eleições presidenciais

Na reta final, Lula aposta em mobilização, e Flávio tenta preservar imagem, dizem especialistas
Na reta final, Lula aposta em mobilização, e Flávio tenta preservar imagem, dizem especialistas · Imagem: Source: www.terra.com.br

Foto: Wilton Júnior e Werther Santana/Estadão / Estadão

Na reta final, Lula aposta em mobilização, e Flávio tenta preservar imagem, dizem especialistas
Na reta final, Lula aposta em mobilização, e Flávio tenta preservar imagem, dizem especialistas · Imagem: Source: www.terra.com.br

A última semana de campanha antes do segundo turno, marcado para este domingo, 25, deve ser de estratégias distintas para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Enquanto o petista precisa mudar a dinâmica da disputa para reverter a desvantagem do primeiro turno, o adversário deve concentrar esforços em preservar a dianteira nas urnas. A avaliação é de especialistas ouvidos pelo Terra, que apontam a mobilização dos eleitores, a rejeição aos candidatos e a capacidade de evitar erros como fatores importantes para o resultado.

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Flávio Bolsonaro publicou vídeo em apoio à campanha de Márcio Canella em abril Foto: Reprodução/Facebook
Flávio Bolsonaro publicou vídeo em apoio à campanha de Márcio Canella em abril Foto: Reprodução/Facebook · Imagem: Source: www.terra.com.br

As campanhas de ambos os presidenciáveis optaram por não comentar com o Terra as estratégias para esta semana decisiva. Para João Ricardo Matta, doutor em Marketing e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), a reta final será menos voltada à persuasão de quem já escolheu um candidato e mais à mobilização de quem pode deixar de votar.

André Mendonça interrompe julgamento que formava maioria para derrubar decisão contra vídeo de Lula Foto: Reprodução/TSE e Reprodução/Lula/YouTube
André Mendonça interrompe julgamento que formava maioria para derrubar decisão contra vídeo de Lula Foto: Reprodução/TSE e Reprodução/Lula/YouTube · Imagem: Source: www.terra.com.br

“Acho que a campanha do Flávio se assustou muito com o movimento do Janones, com o grupo [Exército do Lula] que ele mobilizou, e com as movimentações de rua dos estudantes. A mobilização em torno do Lula foi surpreendente, eles não imaginavam que teria essa dimensão. A manifestação na Avenida Paulista assustou a direita, a ponto de os levantamentos internos da campanha do Flávio terem registrado uma alteração. Pela primeira vez em quase 15 anos a esquerda fez uma movimentação daquele tamanho absolutamente orgânica junto aos estudantes. Isso provavelmente influenciou a decisão de Flávio de participar do debate", aponta Matta.

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Imagem da matéria: Na reta final, Lula aposta em mobilização, e Flávio tenta preservar imagem, dizem especialistas · Imagem: Source: www.terra.com.br

Lucas Massimo, cientista político e professor da Uninter, também vê espaço para mudanças, mas considera mais prudente que as campanhas mantenham o foco em temas com os quais os candidatos já têm familiaridade. Já Rodrigo Prando, cientista político e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, destaca que a posição de cada um no primeiro turno condiciona as decisões nesta etapa.

Flávio Bolsonaro publicou vídeo em apoio à campanha de Márcio Canella em abril Foto: Reprodução/Facebook
Flávio Bolsonaro publicou vídeo em apoio à campanha de Márcio Canella em abril Foto: Reprodução/Facebook · Imagem: Source: www.terra.com.br

Lula deve explorar programas sociais e consequência de votar em Flávio

André Mendonça interrompe julgamento que formava maioria para derrubar decisão contra vídeo de Lula Foto: Reprodução/TSE e Reprodução/Lula/YouTube
André Mendonça interrompe julgamento que formava maioria para derrubar decisão contra vídeo de Lula Foto: Reprodução/TSE e Reprodução/Lula/YouTube · Imagem: Source: www.terra.com.br

Para os especialistas, o presidente deve usar a reta final para defender as ações de seu governo e associar a candidatura adversária a riscos para a população. A estratégia inclui temas como emprego, renda, custo de vida e programas sociais, além de críticas às propostas econômicas de Flávio.

“Não basta defender o governo, é preciso que ele eleve o custo de votar no adversário”, avalia Prando. Segundo ele, Lula tenta transformar o segundo turno em uma comparação entre os projetos dos dois candidatos, com destaque para o impacto social de um eventual ajuste fiscal mais rigoroso e para a defesa das políticas públicas do atual governo.

“Lula está apostando na redução da abstenção. No primeiro turno, o índice foi de 21%, o maior desde 1998 e, praticamente, desde o início do nosso período democrático. Então, ele deve concentrar esforços em reduzir esse número, buscando, principalmente, levar às urnas os eleitores mais velhos, que não são obrigados a votar, para que saiam de casa e participem da votação", acrescenta João Ricardo Matta.

Na avaliação de Massimo, a economia doméstica também deve ocupar espaço central nos discursos do presidente, especialmente em questões que afetam diretamente o orçamento das famílias. “A pauta econômica deve predominar no lado do presidente que concorre à reeleição”, afirmou. Entre os temas que podem ganhar destaque, ele cita a escala de trabalho 6 por 1, a inflação, o preço dos alimentos, o custo de vida e o endividamento.

Além da comparação entre os governos, Lula deve buscar ampliar sua votação em regiões e grupos nos quais ainda pode conquistar apoio.

"Geograficamente, a meta declarada é recuperar votos no Nordeste e priorizar os maiores colégios eleitorais: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro", aponta Prando.

Flávio deve preservar vantagem e apostar na segurança

Do lado de Flávio, analistas avaliam que ele deve manter o discurso em áreas que favorecem sua candidatura e evitar entrar em discussões capazes de ampliar a rejeição. A segurança pública aparece como um dos principais temas para o senador.

“O esperado para os próximos dias, pelo menos nas manifestações públicas, é que o candidato Flávio Bolsonaro se pronuncie sobre temas que orbitam a segurança pública e evite assuntos relacionados com a pauta econômica, como a questão do tesouraço e o fim da escala 6 por 1”, afirmou Massimo.

Para o professor da Uninter, a estratégia mais prudente para o candidato do PL seria não se expor em temas econômicos que possam tirá-lo de sua zona de conforto.

“Nesse momento, Flávio se encontra em uma situação delicada na campanha, porque se viu obrigado a apoiar a escala 5 por 2. Entretanto, passou os últimos meses dizendo que era absolutamente contra. Ele entendeu que, nesta reta final, seria muito delicado permanecer nessa posição. Então, está se dizendo a favor e, ao mesmo tempo, dando sinais ao empresariado de que vai flexibilizar a questão da jornada de trabalho por meio de regulamentação”, acrescenta Matta, que também considera possível que o senador adote algum discurso para ampliar seu apoio entre as mulheres, grupo no qual Lula obteve vantagem.

Prando também considera que Flávio deve manter a eleição no campo da mudança em contraposição à continuidade do atual governo. Na avaliação do cientista político, o senador conseguiu se apresentar como uma versão mais moderada do bolsonarismo e associar a candidatura de Lula a preocupações com criminalidade e perda do poder de compra.

“O Flávio estando à frente, ele joga para preservar o que ele já tem”, disse. Para ele, o candidato também procura projetar uma imagem mais jovem e moderada em comparação com o presidente.

Mobilização pode ser decisiva na última semana

Embora as campanhas ainda possam tentar conquistar votos, os especialistas divergem sobre o tamanho do espaço para mudanças no cenário eleitoral. Matta considera que a persuasão tende a perder força nos últimos dias, enquanto a mobilização de eleitores que não compareceram ao primeiro turno pode fazer diferença. “A rua é um termômetro muito forte”, afirmou o professor da FGV, ao avaliar as manifestações recentes de apoiadores de Lula.

“Nesta reta final a mobilização é mais importante do que a persuasão. Por quê? Porque 94% já estão decididos, e dificilmente alguém vai mudar o voto. Mas eu posso fazer com que quem não foi ao primeiro turno pense: ‘É importante eu estar presente. E agora eu vou'. Isso pode mudar o jogo”, avalia Matta.

Massimo, por outro lado, avalia que ainda existe espaço para mudanças porque as pesquisas apontam um contingente de eleitores indecisos entre 5% e 8%. Segundo ele, mesmo uma pequena variação pode ser relevante em uma disputa com diferença estreita.

Prando também considera que a disputa não se resume a conquistar eleitores indecisos. Para ele, o resultado dependerá da capacidade de cada campanha de mobilizar sua própria base e atrair quem rejeita o adversário. “Mais do que conquistar indecisos, a disputa é sobre quem converte o eleitor da rejeição, aquele que vota contra o outro, e quem leva a sua base às urnas”, afirma.

Debates aumentam o risco de erros

Os debates previstos para a reta final também podem alterar a dinâmica da campanha. Segundo Massimo, esses encontros exigem dos candidatos uma postura mais incisiva para se diferenciar do adversário e convencer eleitores que ainda não decidiram o voto.

O professor avalia, porém, que as campanhas devem manter um discurso mais controlado nas demais aparições públicas, enquanto apoiadores e grupos nas redes sociais assumem parte do confronto direto. A estratégia permitiria que os candidatos preservassem suas imagens sem deixar de explorar críticas ao adversário.

Matta também vê os debates como um momento de risco. Uma declaração mal calculada pode aumentar a rejeição, que, segundo ele, é semelhante entre os dois candidatos. “A equipe de campanha de Flávio está surpreendendo positivamente. No último mês, vem fazendo um trabalho de marketing eleitoral muito bem construído em torno de sua imagem, deixando-o se expor pouco. Agora, o fato é que o debate pode aumentar a rejeição de um dos candidatos por causa de uma frase mal colocada.”

Por isso, o especialista avalia que ambos devem evitar deslizes que comprometam o desempenho na reta final. “Quem vai vencer é quem errar menos e quem colocar mais gente na fila da urna.”

Fonte: Portal Terra

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