O setor brasileiro de eventos, cultura e entretenimento registrou consumo estimado de R$ 76,9 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 8,2% em relação ao mesmo período de 2025, atingindo o maior valor desde o início da série histórica em 2019. Ao mesmo tempo, a criação de empregos formais vinculados diretamente à realização de eventos recuou 68% em comparação com o semestre anterior.O crescimento de 8,2% eleva o consumo do segmento ao patamar mais elevado nos seis primeiros meses do ano desde 2019, reforçando a retomada da demanda por atividades de lazer, cultura e entretenimento. Esse resultado reflete a soma das despesas relacionadas à recreação, calculadas com base nos indicadores IPCA e Pnad Contínua, ambos do IBGE.Entre janeiro e junho de 2026, foram gerados 4.150 postos de trabalho com carteira assinada, contra 12.931 no primeiro semestre de 2025, o que representa a queda de aproximadamente 68% no saldo de novas vagas. A desaceleração indica um ritmo mais moderado de expansão do mercado de trabalho no setor.Mesmo com a retração, o número de trabalhadores formais nas atividades diretamente ligadas aos eventos chegou a 208,1 mil em junho, crescimento de 86,8% em relação a 2019, mantendo o nível de emprego acima do registrado antes da pandemia de Covid‑19.A performance mensal também mostrou sinais de recuperação: após resultados negativos em abril e maio, junho encerrou o período com a criação líquida de 1.942 postos de trabalho, revertendo a tendência de queda.O levantamento abrange atividades de organização de eventos, apresentações artísticas e culturais, recreação, lazer e produção de eventos esportivos, constituindo um panorama amplo da cadeia produtiva.Segundo a Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape), a moderação nas contratações decorre do processo de acomodação do setor após a expansão observada nos anos subsequentes à pandemia, bem como das mudanças econômicas provocadas pelo encerramento do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse).A influência econômica dos eventos se estende a segmentos como hotelaria, alimentação, publicidade, infraestrutura e segurança privada, formando o chamado hub setorial. Esse conjunto contabilizava 4,36 milhões de empregos formais em junho de 2026, alta de 26,5% em relação a 2019.Somente no mês de junho, a movimentação estimada atingiu R$ 12,6 bilhões, reforçando a tendência de crescimento da demanda por cultura, lazer e entretenimento, ainda que o ritmo de expansão do consumo não tenha sido acompanhado pela mesma velocidade de geração de empregos.









