De longe, o terreno seco parece marcado por crateras abertas entre colinas claras. Em Matmata, no sul da Tunísia, esses vazios escondem casas escavadas para baixo, com pátios centrais e cômodos subterrâneos. A solução tradicional aproveita o próprio solo para suavizar o calor intenso e criar abrigo diante das variações do deserto.
Por que Matmata foi construída para baixo?
As casas subterrâneas reduzem a exposição direta ao calor e aproveitam a inércia térmica do terreno. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), o velho Matmata fica a 600 metros de altitude. Ali, moradores escavaram habitações em solo arenoso e argiloso, criando uma resposta arquitetônica ao ambiente árido.
Esse desenho também protege os ambientes contra mudanças bruscas de temperatura. Além do frescor no verão, registros históricos da UNESCO descrevem essas casas como mais quentes no inverno. Assim, a própria massa de terra funciona como proteção natural, enquanto a abertura central mantém luz e circulação entre os espaços.
🏛️ 1977: Uma habitação troglodita de Matmata aparece em Star Wars: Episódio IV, Uma Nova Esperança.
🌿 2020: A Tunísia inclui o habitat troglodita do sul em sua Lista Indicativa para a UNESCO.
🚀 Hoje: Casas escavadas e hospedagens mantêm a arquitetura ligada à vida e ao turismo regional.
Como funcionam as casas subterrâneas de Matmata?
Matmata apresenta moradias subterrâneas integradas ao terreno desértico // Créditos: depositphotos.com / Privizer
O centro da casa é um grande poço aberto ao céu que funciona como pátio. A partir dele, os moradores escavam quartos, cozinha, depósitos e espaços para animais nas paredes laterais. A UNESCO descreve ainda um corredor horizontal subterrâneo, aberto na encosta, que liga a residência ao exterior.
Esse arranjo muda completamente a leitura da paisagem. Na superfície, o visitante percebe depressões circulares, enquanto a vida doméstica se organiza abaixo e permanece conectada ao pátio. Portanto, alguns detalhes ajudam a entender como essa arquitetura transforma solo, luz, circulação e proteção térmica em partes da própria casa.
- Pátio central: recebe luz natural e conecta os ambientes escavados ao redor, funcionando como o núcleo aberto da residência.
- Quartos subterrâneos: ficam nas paredes do pátio e aproveitam a proteção térmica oferecida pela massa de terra ao redor.
- Corredor de acesso: parte da encosta e alcança o pátio por um caminho horizontal, evitando uma entrada convencional na superfície.
- Paisagem vista de cima: revela cavidades abertas no terreno, embora cada uma possa esconder uma organização doméstica muito mais complexa abaixo.
O que Star Wars encontrou no deserto tunisiano?
A arquitetura de Matmata serviu como cenário porque já possuía uma aparência incomum sem precisar ser inventada para o cinema. A UNESCO registra que uma dessas habitações, depois convertida em hotel, apareceu em Star Wars: Episódio IV, Uma Nova Esperança. O filme chegou aos cinemas em 1977 e associou a paisagem subterrânea ao planeta fictício Tatooine.
O vínculo permanece presente no turismo local e leva visitantes a uma estrutura doméstica tradicional que ganhou uma segunda leitura depois do filme. Por isso, o portal oficial Discover Tunisia inclui o Hôtel Sidi Driss em sua rota cinematográfica dedicada aos locais de filmagem do país. Contudo, a importância do lugar vai além do cinema, pois a arquitetura nasceu de necessidades ambientais, culturais e domésticas muito anteriores às filmagens.
Como chegar a Matmata e organizar a visita?
Gabès funciona como uma das principais bases para alcançar Matmata, situada a cerca de 65 km, segundo material do turismo tunisiano. O portal oficial informa aeroportos internacionais em Djerba, cerca de 100 km de Gabès, e em Sfax, a 160 km. Além disso, uma boa estrada conecta Matmata a Douz e Médenine.
Para entender o lugar, vale combinar a visita às casas trogloditas com o entorno montanhoso e as vilas próximas. O Escritório Nacional de Turismo da Tunísia destaca hospedagens em casas escavadas, artesanato regional e caminhadas. Desse modo, a experiência ganha sentido quando o visitante observa como arquitetura, relevo e costumes formam um mesmo conjunto.
Ponto de interesse
O que observar
Casas trogloditas
Pátios abertos no solo, quartos escavados e acessos por corredores subterrâneos.
Paisagem regional
Colinas áridas, vilas amazigh e uma arquitetura moldada para conviver com o clima seco.
Vale conhecer Matmata?
Matmata mostra como uma casa pode nascer da paisagem, usando o subsolo para criar conforto e preservar uma forma tradicional de viver no deserto tunisiano. O cinema tornou esse cenário famoso, porém a história mais interessante está na engenharia cotidiana das famílias amazigh e na relação delas com o terreno. Por isso, caminhar pelo lugar ajuda a perceber uma adaptação humana escrita diretamente no solo, muito antes da chegada das câmeras. Se você gosta de geografia e arquitetura juntas, coloque essa parada em um roteiro pelo sul tunisiano.
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