Energia ganha espaço enquanto Vale enfrenta cenário mais incerto, diz Ágora

Dalton Gardimam, vê petróleo como proteção para os portfólios em meio a tensões geopolíticas, demanda crescente por energia e subinvestimento na oferta.

Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

O Ibovespa inicia a semana com volatilidade após o primeiro turno das eleições presidenciais no Brasil, influenciando a política econômica futura. Investidores ajustam posições, atentos também aos juros e commodities globais. Na sexta, o Ibovespa subiu 2,63%, impulsionado por Petrobras e Vale, após dados de emprego nos EUA sugerirem estabilidade nos juros do Fed. O dólar caiu 0,07%. A agenda inclui o Boletim Focus e PMIs, enquanto nos EUA, PMIs e ISM de serviços são aguardados.

O Ibovespa hoje salta 9,1% e atinge a inédita marca de 209.605,7 pontos após o primeiro turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (4). O resultado das urnas, que definiu a disputa entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 25 de outubro, domina o pregão desta segunda-feira (5).

PUBLICIDADE

O dólar hoje recua 4,85% cotado a R$ 4,9630, enquanto os juros futuros caem mais de 6% nos vencimentos intermediários e longos.

Flávio ficou à frente de Lula por uma diferença de quase 2 pontos porcentuais, vencendo a primeira etapa do pleito por 47,03% a 45,16% dos votos válidos.
Publicidade
Além disso, o PL se consolidou como o maior partido do Senado, elegendo 19 parlamentares, o que lhe dará uma bancada de 28 a partir de fevereiro – hoje, conta com 15.
Analistas esperam um dia positivo para o Ibovespa com os resultados. “O mercado financeiro passa a atribuir uma probabilidade maior de alternância de poder e, junto com ela, uma possibilidade maior de mudança na condução fiscal a partir de 2027″, afirma Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital.
Ele pontua que o pregão deve ser marcado por volatilidade elevada. Além do desempenho do Ibovespa, um termômetro importante será o desempenho dos juros longos. “Este será o sinal para distinguir um simples rali eleitoral do começo de uma reprecificação estrutural do mercado brasileiro”, afirma.
Publicidade
Os efeitos já são sentidos nas principais ações do Ibovespa: os papéis da Petrobras (PETR3; PETR4) saltam 5,63% nos ordinários e 6,45% nos preferenciais. Já os ativos da Vale (VALE3) sobem 1,83%.
Entre as ações do setor financeiro, os sinais também são positivos: os papéis do Itaú (ITUB4) ganham 9,15% e os do Banco do Brasil (BBAS3) avançam 12,39%. Já os do Bradesco (BBDC3;BBDC4) têm alta de 11,29% nos ordinários e de 10,71% nos preferenciais. Os ativos do BTG Pactual (BPAC11) disparam 14,24% e o Santander (SANB11) tem alta mais contida, de 0,64%. A B3 (B3SA3), por sua vez, salta 27,79%, dominando a ponta positiva do Ibovespa.
Outros destaques de alta do índice são Magazine Luiza (MGLU3), Cosan (CSAN3), Cyrela (CYRELA) e Localiza (RENT3), que sobem 24,44%, 21,6%, 22,01% e 18,01%, respectivamente. Apenas duas ações recuam: Suzano (SUZB3) e Embraer (EMBJ3), com perdas de 3,36% e 1,29%, nesta ordem.
Publicidade
Fora do Ibovespa, papéis de empresas como Movida (MOVI3), Grupo Simpar (SIMH3), Casas Bahia (BAHI3) e Taurus (TASA4) também se saem bem, com altas de 18,99%, 19,81%, 21,01% e 13,29%, respectivamente.
Fernando Siqueira, head de Research da Eleven, pondera que os mercados já anteciparam um pouco do “trade eleitoral” nos últimos dias – na última semana, o Ibovespa subiu 4,71% –, mas a força da votação da oposição deve prolongar a reação positiva hoje. “Na Bolsa, impacto maior em empresas de menor qualidade: small caps (companhias de menor capitalização), empresas endividadas e com resultados fracos”, afirma.
Os pregões posteriores aos primeiros turnos das eleições costumam ser marcados por fortes valorizações do Ibovespa. Dados levantados por Einar Ribero, da Elos Ayta Consultoria, mostram que, nas últimas três eleições presidenciais, o índice deu um salto acima de 4% na segunda-feira após a primeira rodada de votação.
Publicidade
PUBLICIDADE
A maior alta dos últimos 20 anos ocorreu em 2022, quando o Ibovespa subiu 5,54%. Naquele dia, o dólar ptax – taxa de referência para as operações de câmbio no mercado financeiro, calculada pelo Banco Central (BC) – caiu 3,82%, enquanto a cotação à vista teve baixa de 4,48%.
Em Nova York, o EWZ hoje, principal ETF (fundo de índice) de ações brasileiras negociado nos Estados Unidos, registra ganhos de 12,65%, indicando entrada de capital estrangeiro na Bolsa local. Por lá, os índices acionários operam sem direção única: S&P 500 e Nasdaq sobem 0,15% e 0,56%, respectivamente, ao passo que o Dow Jones cede 0,52%.
Ibovespa encara dia de forte volatilidade com Flávio Bolsonaro à frente na disputa presidencial no primeiro turno. Foto: Adobe Stock
Leia mais
- Eleições mudam o mapa das carteiras para outubro e Petrobras ganha espaço; veja as recomendações
- Dividendos em outubro: bancos e corretoras mudam apostas; confira as ações escolhidas
- Bolsa nas eleições: histórico revela quando ações mais oscilam – e esse momento está chegando

