A GWM encontrou no Ora 5 uma maneira de ampliar consideravelmente a atuação da família Ora no Brasil. Enquanto o Ora 03 aposta em dimensões compactas e visual retrô, o novo SUV elétrico tem porte para enfrentar modelos maiores e tenta fazer uma ponte entre os SUVs compactos e médios do mercado.

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Com 4,47 metros de comprimento e 2,72 m de entre-eixos, o Ora 5 é um carro grande para a categoria em que a GWM pretende posicioná-lo. O modelo tem ainda 1,83 m de largura, 1,64 m de altura. Na prática, suas dimensões são próximas às de SUVs médios, embora, aparentemente, ele pareça menor do que é. E o preço na casa dos R$ 164 mil também leva à crença de ele é menor, mas vale contextualizar.

O Ora 5 tem 7 cm a mais que um Jeep Compass no comprimento, mas seu preço é R$ 19 mil menor que o SUV elétrico da sua principal concorrente, o BYD Yuan Pro. Desta forma, fica claro que a intenção da GWM é tirar compradores de quem pensa em um utilitário esportivo de entrada.

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Com 204 cv, Ora 5 quer entregar mais do que apenas espaço

A proposta, porém, não é apenas oferecer mais espaço. O Ora 5 também chega com motor mais potente que o do Ora 03 e uma lista considerável de equipamentos. Na configuração vendida no Brasil, são 204 cv e 26,5 kgfm de torque, sempre enviados às rodas dianteiras.

Segundo a GWM, o SUV acelera de 0 a 100 km/h em 7,7 segundos, um desempenho que não dá para criticar. Entretanto, falta alma num carro que quer conquistar o consumidor que busca fugir da mesmice dos desenhos de SUVs.

SUV elétrico tem 4,47 m de comprimento e entre-eixos de 2,72 m, com porte semelhante ao de modelos compactos a combustão Foto: Divulgação | GWM

Visual diferente, mas menos exagerado

O Ora 5 mantém a identidade visual do Ora 03, principalmente pelos faróis redondos e pelas formas curvilíneas da carroceria. A dianteira tem poucos elementos e uma aparência bastante limpa, enquanto a traseira concentra algumas das soluções do hatch.

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As lanternas, por exemplo, ficam posicionadas da mesma maneira pouco convencional logo abaixo do vidro traseiro. Os indicadores de direção e a luz de ré ficam no para-choque. O limpador traseiro também fica escondido sob o aerofólio — e não limpa tão bem quanto se estivesse na posição tradicional, é preciso dizer. Na chuva, boa parte do vidro ainda fica bastante molhada após acionar o dispositivo.

As rodas são de 18 polegadas e utilizam pneus 225/60. Não há molduras plásticas nas caixas de roda, numa tentativa de deixar o visual mais limpo em vez de criar uma aparência aventureira artificial.

Na dianteira, os faróis são Full LED e a grade inferior é ativa: ela abre e fecha conforme a necessidade de ventilação e também contribui para a aerodinâmica, segundo a GWM.

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GWM Ora 5 tem praticamente a mesma traseira do Ora 03 Foto: Divulgação | GWM

Por dentro do Ora 5 é outra história

Se o exterior ainda guarda bastante da personalidade do Ora 03, o interior do Ora 5 dá um passo em outra direção. O acabamento procura transmitir uma sensação mais sofisticada, com materiais emborrachados no painel e nas portas, revestimentos sintéticos e detalhes que variam de acordo com a cor externa do carro. Ainda existem peças de plástico rígido, mas elas ficam mais concentradas em algumas áreas inferiores.

O painel reúne duas telas. O quadro de instrumentos digital tem 10,25 polegadas, enquanto a central multimídia tem 14,6 polegadas. Ela utiliza o sistema Coffee OS 3, da própria GWM, e oferece Apple CarPlay e Android Auto sem fio. Há também carregador de celular por indução. A multimídia é bastante intuitiva e traz uma barra fixa com os principais comandos, incluindo os de ar-condicionado, facilitando bastante a vida a bordo.

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Um detalhe interessante é que a GWM não concentrou tudo na tela. O ar-condicionado tem comandos físicos e há botão convencional para ligar e desligar o veículo. É uma solução que contrasta com a tendência de algumas marcas chinesas de transferir praticamente todas as funções para a central multimídia. Por outro lado, alguns comandos, como os dos faróis, continuam dependendo da tela.

A lista de equipamentos inclui ainda bancos dianteiros elétricos e ventilados, três posições que o sistema memoriza para o banco do motorista, iluminação ambiente, teto solar panorâmico com cortina elétrica, sistema de som com nove alto-falantes e abertura elétrica do porta-malas. O teto, entretanto, tem uma particularidade: apesar de panorâmico, o vidro é fixo.
Painel combina quadro de instrumentos digital de 10,25 polegadas com central multimídia de 14,6 polegadas e acabamento com materiais de toque macio Foto: Divulgação | GWM
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Espaço é um dos trunfos no Ora 5
O entre-eixos de 2,72 m é um dos números que mais chamam atenção no Ora 5. A medida é superior à de muitos SUVs considerados compactos e ajuda a explicar por que o carro oferece uma cabine relativamente ampla. Para quem mede menos de 1,90 m de altura, o espaço traseiro é suficiente para dois adultos viajarem com tranquilidade.
No banco traseiro, há saída de ar-condicionado. O console traseiro ainda oferece uma porta USB-C e um compartimento de 3,2 litros que utiliza o sistema de climatização para manter objetos em temperatura mais baixa. O porta-malas, segundo a marca, comporta 362 litros.
O Ora 5 oferece bom espaço para os passageiros de trás, com capacidade para acomodar três ocupantes e bom espaço para as pernas Foto: Divulgação | GWM
Potência e condução diferente da esperada
O Ora 5 usa motor elétrico dianteiro de 204 cv e 26,5 kgfm. A bateria tem 58,3 kWh, mesma capacidade utilizada pelo Ora 03 vendido atualmente no Brasil. A autonomia declarada pelo Inmetro é de 349 km no ciclo PBEV. Isso tudo parece muito bom perto do que é oferecido pela concorrência.
O BYD Yuan Pro, que custa R$ 19 mil mais que o GWM Ora 5, tem apenas 177 cv de potência e oferece apenas 250 km de autonomia.
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A recarga pode ser feita em corrente alternada a até 11 kW. Em carregadores rápidos de corrente contínua, o Ora 5 aceita até 120 kW. Há quatro modos de condução — Eco, Well Being, Normal e Esportivo — além de três ajustes para a assistência da direção. E é aí que ele já começa a ganhar frente aos rivais: a dinâmica dele é um pouco mais acertada que a maioria dos chineses ofertados no país.
O comportamento do conjunto elétrico chama atenção por não seguir exatamente aquela receita de alguns carros elétricos que entregam toda a força de uma vez. No modo Eco, ele se porta de forma dócil e, no esportivo, entrega tudo que promete. Mas não é nessa dinâmica que nos apoiamos.
A suspensão independente nas quatro rodas também recebeu um acerto específico para o mercado brasileiro. A calibração é firme, mas a proposta é controlar bem os movimentos da carroceria e absorver as irregularidades do piso. A questão é que ela absorve bem as irregularidades e traz sensação prazerosa de guiar, mas falta personalidade.
Não chega a ser rígida ao ponto de transmitir a esportividade de um carro alemão, por exemplo. E, por consequência, não traz o efeito colateral do desconforto inerente de uma suspensão mais firme. Num contraponto, ela também não é tão flutuante quanto os demais conterrâneos.
Assim, não consegue atingir nem o conforto absoluto, nem a dirigibilidade prometida.
Visual inspirado no Ora 03 continua marcante, mas o novo SUV aposta em proporções maiores e uma proposta mais familiar Foto: @photoarantes
Tecnologia de sobra
O pacote de segurança e assistência à condução é outro ponto forte do modelo. Entre os recursos estão seis airbags — um a menos que o Ora 03 —, freios a disco nas quatro rodas, controle de velocidade adaptativo, frenagem automática de emergência, alerta de colisão traseira, monitoramento de pontos cegos, assistente de permanência e centralização em faixa, alerta de tráfego cruzado traseiro com frenagem e leitura de placas de velocidade.
Há ainda câmera com visão 540º (explico: é possível ver uma simulação do carro de cima) e função de chassi transparente, que permite visualizar na tela uma representação da área sob o veículo para facilitar determinadas manobras.
O ponto central do Ora 5 é que ele não tenta ser simplesmente um Ora 03 maior. A GWM aproveitou a identidade visual da família, mas criou um SUV com dimensões mais generosas, interior mais convencional, maior oferta de equipamentos e conjunto mecânico mais potente.
O Ora 5, portanto, vale muito mais a pena do que o Ora 03 e se torna o melhor carro de entrada da GWM no momento. O problema é que, após dois meses de seu lançamento, ele ainda não figura entre os 50 SUVs mais vendidos do Brasil. O GWM Tank 300 é o último dessa lista e, em agosto, emplacou apenas 262 unidades.
Carisma e competência ele tem, só falta usar o charme para conquistar mais consumidores.
GWM Ora 5 — ficha técnica:
- Motor: elétrico, síncrono de ímã permanente;
- Potência: 204 cv;
- Torque: 26,5 kgfm;
- Câmbio: automático;
- Tração: dianteira;
- 0 a 100 km/h: 7,7 segundos;
- Bateria: íons de lítio LFP;
- Capacidade: 58,3 kWh;
- Autonomia Inmetro: 349 km;
- Recarga AC: até 11 kW;
- Recarga DC: até 120 kW;
- V2L: até 6 kW;
- Comprimento: 4,47 m;
- Largura: 1,83 m;
- Altura: 1,64 m;
- Entre-eixos: 2,72 m;
- Porta-malas: 362 litros;
- Pneus: 225/60 R18;
- Dianteira: independente;
- Traseira: independente multilink;
- Central multimídia de 14,6″;
- Painel digital de 10,25″;
- 6 airbags;
- Controle de cruzeiro adaptativo;
- Frenagem autônoma de emergência;
- Assistente de permanência e centralização em faixa;
- Monitoramento de ponto cego;
- Alerta de tráfego cruzado dianteiro e traseiro;
- Frenagem para tráfego cruzado;
- Reconhecimento de placas;
- Alerta de abertura de portas;
- Preço: R$ 163.990.
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