Protestos estudantis deixam escolas incendiadas e diretora ferida na França

Mais de 300 mil pessoas foram às ruas em todo o país, segundo sindicato. Crédito: REprodução Redes

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A França suspendeu nesta quarta-feira, 7, o uso de granadas de efeito moral pela polícia durante protestos estudantis, após um adolescente de 15 anos perder a mão durante uma manifestação no norte do país. A decisão foi anunciada pelo ministro do Interior, Laurent Nuñez, que afirmou que os artefatos não serão utilizados nesses protestos até que os incidentes registrados sejam esclarecidos.

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Em entrevista à rádio francesa RTL, Nuñez disse que a suspensão vale exclusivamente para manifestações de estudantes do ensino médio e pelo período necessário para determinar as circunstâncias dos episódios. Segundo uma fonte sindical da polícia, o adolescente ficou mutilado ao pegar uma granada de dispersão lançada por agentes durante um protesto em Lens, no norte da França.

Outro estudante, de 14 anos, ficou ferido em uma manifestação na região noroeste de Paris. Ele perdeu vários dentes após a explosão de uma granada de gás lacrimogêneo lançada a curta distância, segundo as informações divulgadas sobre o caso.

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Decisão ocorre após dois estudantes ficarem feridos durante manifestações que já levaram a mais de 6500 detenções desde setembro. Foto: Christophe Archambault/AFP

A decisão ocorre após uma nova jornada de manifestações na terça-feira, 6, que reuniu cerca de 256 mil estudantes, professores e pais em todo o país. O governo francês nega que haja uma política de repressão aos protestos, que já resultaram em mais de 6.500 detenções desde o início da mobilização, a maioria envolvendo menores de idade.
O governo informou que 215 estudantes, 715 policiais e 85 integrantes de equipes escolares ficaram feridos durante os protestos. A polícia também abriu 18 investigações internas para apurar denúncias de má conduta de agentes desde o início das manifestações.
A suspensão das granadas provocou reação da oposição. Manuel Bompard, coordenador nacional do partido de esquerda A França Insubmissa (LFI), criticou a decisão e afirmou que foi necessário que jovens sofressem ferimentos permanentes para que o governo interrompesse o uso dos artefatos contra estudantes.
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Os protestos começaram em setembro e envolvem principalmente estudantes de 15 a 18 anos. Centenas de escolas foram bloqueadas pelos manifestantes, que reclamam da falta de professores, da carga horária considerada excessiva e das condições de infraestrutura dos estabelecimentos de ensino. Os estudantes também denunciam problemas relacionados às altas temperaturas dentro das salas de aula.
Embora a maioria das manifestações tenha ocorrido de forma pacífica, alguns atos terminaram em confrontos e episódios de violência. A mobilização levou o presidente Emmanuel Macron a convocar, na terça-feira, uma reunião de emergência com o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, e outros integrantes do governo para discutir a situação.
Lecornu fará um pronunciamento à população nesta quarta-feira para tratar dos protestos e das contas públicas. O governo francês enfrenta dificuldades para aprovar o orçamento de 2027 em meio a um debate sobre um pacote de ajuste fiscal superior a US$ 60 bilhões, equivalente a cerca de R$ 298 bilhões.
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A proposta busca reduzir o elevado déficit público e conter o crescimento da dívida, que atingiu níveis recordes. A votação, porém, enfrenta resistência no Parlamento, a poucos meses das eleições presidenciais de 2027, que definirão o sucessor de Macron. /AFP
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