Ilca Maria Estevão

Quatro adolescentes de Oxfordshire pedem ao governo britânico que proíba o uso de uniformes escolares em conteúdos pornográficos

Larissa Pontes, Ilca Maria Estevão

01/10/2026 02:00

Grupo de estudantes apresentou petição ao primeiro-ministro do Reino Unido

Quatro estudantes da Cooper School, em Bicester, no condado de Oxfordshire, na Inglaterra, criaram uma petição para proibir o uso de uniformes escolares em conteúdos pornográficos. Integrantes do clube de leitura Little Feminist Bookclub, elas direcionaram o documento ao primeiro-ministro britânico e afirmam que o uniforme é uma peça “projetada para fazer com que as estudantes se sintam seguras”. A petição já reúne mais de 8 mil assinaturas.

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Estudantes caminhando nas ruas

A petição

O argumento central da iniciativa é que o uso de uniformes escolares em conteúdos pornográficos busca evocar a infância e a identidade de pessoas em idade escolar e, por isso, deve ser proibido. O documento foi lançado pelo Little Feminist Bookclub, clube de leitura da Cooper School, e assinado em nome do grupo. Quatro integrantes — Willow, Rose, Aylin e Mae, de 14 e 15 anos — deram rosto à campanha e concederam entrevistas à imprensa britânica.

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Um grupo de garotas vestidas com uniformes escolares em 2003, no centro de Londres
As autoras da petição explicaram que o incômodo nasce da própria rotina: elas relatam não suportar usar o uniforme fora do ambiente escolar pela forma como a roupa pode ser percebida.
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Evening Standard/Hulton Archive/Getty Images
Alunas da Benenden School, um internato particular para meninas localizado em Hemsted Park, Kent, no Reino Unido, em 18 de julho de 1963
Os limites da legislação
Embora o Reino Unido já proíba, por meio do Crime and Policing Act, a posse e a publicação de pornografia que mostre atividade sexual envolvendo alguém que seja ou aparente ser menor de 16 anos, as estudantes afirmam que a legislação ainda não contempla especificamente o uso de uniformes escolares em conteúdos pornográficos. Para elas, esse tipo de representação deveria ser alvo de uma proibição específica.
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O pedido das quatro estudantes ainda depende de resposta do governo, e nem as defensoras da proibição acreditam que ela, sozinha, resolva o problema
O Crime and Policing Act foi criado com o objetivo de reduzir danos e combater formas de exploração associadas à pornografia. Segundo o Governo do Reino Unido, a preocupação é que determinados conteúdos possam influenciar comportamentos nas relações sexuais, como a prática de estrangulamento, ou estimular o interesse por condutas que seriam ilegais na vida real, como o abuso sexual infantil.
Marcus Brandt/picture alliance via Getty Images
Em 2026, o Reino Unido aprovou a Crime and Policing Act, que criminaliza a posse e a publicação de pornografia com atividade sexual em que ao menos uma pessoa é ou finge ser menor de 16 anos
Embora uma eventual proibição da representação de uniformes escolares não resolva o problema por completo, as estudantes defendem que a medida transmitiria uma mensagem importante. Para elas, manter esse tipo de conteúdo legal contribui para sua normalização e pode fazer com que representações inicialmente consideradas extremas se tornem mais comuns, abrindo espaço para a busca por conteúdos ainda mais extremos.
SEAN GLADWELL/Getty Images
A ministra responsável pelas vítimas, pelo combate à violência contra mulheres e meninas e pela justiça internacional, Alex Davies-Jones, elogiou as estudantes e a petição apresentada por elas
Números
Os números que sustentam a preocupação vêm de situações cotidianas da vida real. Uma pesquisa de 2018 da ONG Plan International, com mil meninas de 14 a 21 anos e citada pelo jornal The Times, apontou que 35% delas já receberam atenção sexual indesejada enquanto usavam uniforme. Entre as entrevistadas, 13% passaram por isso aos 12 anos ou menos, e 8% foram filmadas por um desconhecido sem consentimento.
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A pornografia convencional causa danos e precisa de regulamentação
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Nos sites adultos mais populares, a palavra “teen” é a mais comum e também aparece associada com maior frequência a conteúdos que envolvem agressividade
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Número de assinaturas da petição cresce diariamente
Klaus Vedfelt/Getty Images


