Após cerca de 20 anos a governar a ilha do Príncipe a União para Mudança e Progresso do Príncipe, liderada pelo Presidente do Governo da Região Autónoma, Filipe Nascimento se confronta nas eleições regionais de domingo com 3 opositores.

O MVDP(Movimento Verde para o Desenvolvimento do Príncipe) de Nestor Umbelina, o TSP (Todos Somos Príncipe) de Carlos Correia, e o partido Voz do Príncipe liderado por Aerton do Rosário.

Os partidos que pretendem destronar a UMPP nas eleições regionais, colocam a falta de água potável no centro do debate.

«A população está sem água. Mais de 80% da população não tem água potável. Há um núcleo muito pequeno de pessoas da cidade de Santo António que tem acesso à água, mas 1 dia sim e outro não» reclamou o Presidente do MVDP, o partido que lidera a oposição na Ilha do Príncipe.

Nestor Umbelina – Presidente do MVDP

Nestor Umbelina diz que está a apresentar ao eleitorado da região, um plano de emergência para garantir água potável à população.

«O plano de emergência consiste em pôr a disposição da população todos os meios de transporte disponíveis. Temos um monte de directores com carros de estado e utilizam para ir apanhar água para a sua família, obviamente porque também não têm água. Temos de utilizar esses meios rolantes do governo regional, e por a disposição da população para ir apanhar água», declarou.

Filipe Nascimento Presidente da UMPP e do Governo Regional do Príncipe

Mas, o Presidente da UMPP no poder no Príncipe, diz que apenas algumas localidades da ilha não têm acesso à água potável, e estão no centro do projecto de sociedade que está a apresentar ao eleitorado para renovar o seu mandato na presidência do governo regional. «Vamos levar água para a população nas comunidades que ainda não têm. No sector da energia já levamos energia a todas as comunidades do Príncipe», frisou.

Já Carlos Correia líder do partido Todos Somos Príncipe, considera que a crise de água potável na ilha, e todos os outros problemas sociais poderão encontrar solução, se o povo da ilha lhe conceder o mandato para implementar o projecto de transformação económica que elaborou.

«Estamos a dizer ao eleitorado que a economia do Príncipe está estagnada. Não conseguiremos avançar com a economia estagnada. Vamos incrementar o turismo, a pesca, serviços, o empreendedorismo. Estamos a dizer as pessoas que se tivermos esses alicerces bem estruturados, resolveremos todos os outros problemas que existem como a saúde, o desemprego e outros», defendeu.

O partido MVDP de Nestor Umbelina é mais contundente na descrição da paralisia económica no Príncipe.

«Príncipe parou de produzir. Importamos banana, matabala, até vassoura vem de São Tomé. Vir banana prata de São Tomé para fazer Bobô Fitu, é por si só um escândalo. Uma ilha não pode deixar de produzir para o seu próprio consumo», protestou Nestor Umbelina.

Mas, o Presidente da UMPP Filipe Nascimento discorda e garante que a ilha está a viver um momento de retoma da produção agrícola para exportação. Deu o exemplo do aumento, da exportação do cacau e da pimenta.

O MVDP insiste na tese de que a ilha deixou de produzir comida, e está a dizer ao eleitorado que se for para o governo regional vai abrir linhas de crédito para financiar os agricultores.

«Nós vamos financiar directamente os agricultores para que possam permanecer no campo e cultivar as terras. Vamos fornecer aos pescadores materiais de pesca para que aumentem a produção de peixe», garantiu Nestor Umbelina.

Garantia sustentada com a certeza, segundo o líder da oposição na região autónoma de que com as receitas internas cobradas na ilha de cerca de 5 milhões de euros por ano, terá fundos para financiar a produção agrícola e assegurar a segurança alimentar no Príncipe.

A ilha do Príncipe é património mundial da biosfera, e todos os candidatos a presidência do governo regional defendem a protecção da natureza, em harmonia com as políticas de desenvolvimento.

«Nos somos defensores da protecção da natureza. Não aceitamos a extração de areia. Então temos de encontrar mecanismos de importar a areia de outros países que têm em abundância», afirmou Carlos Correia do TSP.

Filipe Nascimento, respondeu que o mecanismo de importação de areia já está em curso. «A nível de soluções alternativas para o sector da construção, já houve duas importações de areia da costa africana para o príncipe em parceria com o sector privado. Há um novo carregamento de areia em vias de chegar aio Príncipe. Há estudos a decorrer para a construção de uma pedreira».

O compromisso com a protecção da natureza, faz política no Príncipe. Carlos Correia, diz ao povo da ilha que se for presidente do governo regional tem soluções alternativas para a proibição do abate de árvores.

«Não podemos cortar as árvores. A nossa proposta é, se não podemos tirar inertes nem cortar as árvores temos de pensar na importação de casas pré-fabricadas. Agora, não podemos deixar a população completamente nua, porque queremos preservar a natureza», sublinhou.

Os actores políticos concordam que sem infraestruturas a ilha não progride, o Presidente da UMPP promete dar início no próximo mandato a construção do primeiro porto acostável da ilha.
«Há operadores privados com os quais estamos a discutir, há estudos em curso de avaliação técnica sobre a Baía de Santo António», concluiu Filipe Nascimento.
Mais de 6 mil eleitores da ilha do Príncipe são chamados as urnas no domingo para eleger os deputados a Assembleia Regional.
Abel Veiga
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