Ter sucesso não quer dizer, obrigatoriamente, ter sucesso. Veja o caso da Novo Nordisk. Ela criou a onda das canetinhas de emagrecimento, em 2014, com a Saxenda. Mas foi o Ozempic, em 2017, que começou todo o burburinho, quando virou seus canhões de diabetes para gordura. Apesar de tudo isso, a empresa foi atropelada pela concorrente americana Eli Lilly and Company, fabricante do Mounjaro, que virou a trendsetter (a que dita a moda) do mercado. Tudo parece dar certo pra ela, mesmo quando a Novo Nordisk lança um produto que faz mais sucesso que a concorrente. Tanto que, mesmo com as suas novas versões, que trocam a seringa pela boca, vendendo mais do que as da americana, suas ações caíram 15% este ano.O que a gente faz num caso desses? Muda a marca! E foi o que a Novo Nordisk fez. Virou o touro Ápis, que vivia andando pra esquerda e que agora caminha pra direita, além de sumir com o nome Nordisk. Agora é só Novo. O que não é uma novidade, volta pro lugar em que a empresa estava antes de 1989. Acontece que a Novo apareceu em 1925. Dois anos depois da Nordisk. Concorrentes, se fundiram em 1989. Assumiram o símbolo que existia desde a criação e o nome das duas. Agora, volta às origens, com um animal de direita... a direção que está andando, não me entenda mal...O interessante é que, ao mesmo tempo, o CEO Maziar Mike Doustdar quer atualizar a cultura da empresa. Lançou a “The Novo Way”, direcionando a empresa para o consumidor. Quer dizer, sempre fez isso, mas agora o discurso é de que a saúde que dura começa hoje, agora. Não é uma coisa mágica, de longo prazo. É algo que se constrói todos os dias, pouco a pouco. Eu entendo, mas não compreendo. Já não era isso?Pro cara chegar falando de obsessão pelo cliente, competitividade, clareza, cuidado e integridade, é porque alguma coisa estava quebrada no brinquedinho. Está parecendo que ele avisou a todos que a empresa estava meio fora de forma, com alguns quilinhos a mais, e com isso perdeu o foco no que é mais importante. Estranho, porque o discurso dele me lembra o dos presidentes da Unilever e da Nestlé, que assumiram recentemente falando de algo parecido. O que percebo é que as europeias estão se preparando para uma maratona, talvez contra a onda chinesa que está invadindo o mundo.Não sei se mudar a marca resolve problemas que são mais estruturais. Mas, pelo menos, chacoalha o barco. Agora é ficar de olho na balança e ver se a Novo conseguiu emagrecer.✅Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp








