A capital mineira registra por semana, em média, três atropelamentos envolvendo ciclistas. Apenas de janeiro a maio deste ano, BH teve 58 ocorrências, segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). A pesquisa ainda revela que a maioria dos acidentes se dão por conta de algum tipo de imprudência, como não respeitar uma parada obrigatória. Entre 2015 e maio de 2026, foram registrados 2.608 acidentes de trânsito envolvendo bicicletas na capital.Miguel Pereira, um garoto de 15 anos, entrou para a estatística dos acidentes com ciclistas. ‘Eu levantei e fui até o motorista, mas tive que sentar de novo pois estava sentindo muita dor’, disse o adolescente que ficou ferido após colidir de bicicleta contra um carro enquanto descia uma rua no bairro Lúcio de Abreu, em Contagem, na Grande BH. O acidente aconteceu na tarde dessa sexta-feira (18). Segundo entrevista à RECORD Minas na segunda-feira (21), o motorista, de 27 anos, não teria prestado socorro ao garoto. De acordo com Kelly Viviane de Assis, a mãe do adolescente, após a batida o filho ficou caído na calçada e precisou voltar à via para recolher os próprios sapatos. Ainda segundo o relato da família, a única ajuda inicialmente oferecida pelo motorista teria sido retirar a bicicleta, que ficou presa embaixo do carro.Os familiares também afirmam que o adolescente teria ouvido uma cobrança feita pela mãe do motorista, que estava no veículo. Segundo eles, a mulher teria perguntado ao garoto, de forma ríspida, se ele tinha “dinheiro para pagar o conserto do carro”.A família relata ainda que, depois que os ocupantes do veículo foram embora, foi necessário acionar a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros. O levantamento também aponta que 35 ciclistas morreram em acidentes de trânsito em Belo Horizonte desde 2015. O ano com maior número de mortes foi 2021, quando nove ciclistas perderam a vida. Neste ano, até maio, uma morte foi registrada na rua Antônio Peixoto Guimarães, no bairro Caiçara, na região Nordeste da capital.Entre as vias com maior número de ocorrências estão a avenida Otacílio Negrão de Lima, com 90 registros; avenida dos Andradas, com 68; avenida do Contorno, com 49; avenida Cristiano Machado, com 47; e avenida Antônio Carlos, com 39.Segundo o levantamento, muitos acidentes estão relacionados a condutas de imprudência e ao desrespeito às regras de trânsito. De acordo com Jacqueline Alves, especialista em segurança viária, no Código de Trânsito Brasileiro, artigo 29, consta que é de responsabilidade dos veículos motorizados a segurança dos não-motorizados (como bicicletas).“O condutor, ao realizar a passagem por esses veículos, deve manter uma distância mínima de 1,5 metros, mantê-lo sempre em seu campo de visão e dar preferência ao ciclista que já iniciou a travessia na interseção. Os condutores que descumprirem essas regras estão passíveis de serem autuados por infração de trânsito grave ou gravíssima, dependendo do grupo envolvido”.A especialista ressalta ainda que o condutor que se envolve em um sinistro e deixa de prestar socorro ou de solicitá-lo, responde por um crime de trânsito, no qual a pena pode ser de 6 meses a 1 ano, ou pagamento de multa de valor de uma infração gravíssima. “Além disso, o autor pode responder pela própria infração gravíssima de omissão de socorro em sinistro de trânsito, na qual o condutor pode ter a sua habilitação suspensa e multa multiplicada em cinco vezes”.A versão apresentada pelo motorista à Polícia Militar é diferente. Segundo a PM, ele afirmou que teria prestado socorro ao adolescente, mas que o garoto teria recusado atendimento médico. O motorista disse ainda que foi para casa e contou o que havia acontecido à irmã, que é médica. De acordo com o relato feito à polícia, ela o orientou a permanecer no local, mesmo diante de uma eventual recusa de atendimento, e aguardar a chegada da PM e de um responsável legal pelo adolescente.Após receber a orientação, o motorista teria retornado ao local e encontrado o adolescente sendo atendido pelo Corpo de Bombeiros.O pai do adolescente afirmou à PM que pretende levar o caso à Justiça por considerar que houve possível omissão de socorro.*Estagiária sob supervisão de Cler SantosFique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp










